28.5.04

Keira, Black Heired

A primeira história arrepiante que li (seria de Prosper Merimée?) era a história da imagem de uma deusa que era desenterrada no pátio de um castelo. A estátua era como a da Vénus de Milo, mas com braços e mãos, e por isso e porque era muito bonita e muito fria fica ali, à vista de todos. Há depois um casamento no castelo, e o noivo, no entusiasmo da festa e porque quer jogar já não recordo o quê, tira a aliança e rindo-se alto coloca-a no dedo da deusa. Alguém, horrorizado, repara que a estátua fechou a mão para guardar o anel oferecido. E depois é a noite gótica de núpcias, a intimidade do quarto que verá o primeiro sangue, e os passos pesados a subir as escadas, os passos de pedra da deusa inamovível. A buscar o seu noivo eterno...

Se leres esta história não podes deixar de ouvir ao longe o vento frio. E o mesmo vento, a mesma mão que se fecha sobre alguma coisa que levavas contigo, encontra-los num blog que eu encontrei, e que alguma coisa guardou de mim. Eu sei que há muitos blogs negros. Mas este, não sei porquê, pareceu-me tão negro que quando lá entrei instintivamente tacteei uma parede a que me agarrasse. Talvez tenha sido uma frase que lá está, e que não me atrevo a nomear. Talvez tenha sido o espaço vazio entre elas (e é aí que ouves o vento...). Há alguma coisa nela de estátua de pedra, e a Joana Dark não anda longe.

De resto é um blog muito novo, mas a noite não se importa nada com isso. Irás lá? E se fores saberás olhar a deusa enorme? São os caminhos de Tir na n'Og, os mundos de Keira. Black Heired.