9.11.08

Transparência




Meus olhos fáceis, que vedes
tanto além do que sei ser...
Fui barca, vós fostes redes,
não vos soube inda colher.

Meus olhos claros, cansados,
a que quereis olhar ainda?
na noite em que andais fechados
a lua vejo-a mais linda...

Meus olhos simples, fechai-vos,
de que serve andar a ver?
não olheis mais, resguardai-vos:
ver muito é tudo perder.

Meus olhos nítidos, certos,
meu rosto diz-vos adeus:
traz-vos o mundo despertos?
Sois dele, então - não sois meus...

Meus olhos velhos, é tarde...
vinde agora ver-me a mim:
dizei ao mundo que aguarde,
que ides só ver o meu fim...

Dizei-lhe que não demoro,
que esta é a última vez;
que estou velho, já não choro,
ficareis livres os três...

15 Comments:

Blogger witch said...

Hábil voz a dos teus olhos, onde baila a profunda tristeza da sabedoria...ainda assim, nunca se olha as vezes necessárias...

Kissss....

10/11/08 01:51  
Blogger Morgana La Folle said...

...

10/11/08 04:13  
Blogger Gotik Raal said...

Goldmundo,

Uma cantiga bem portuguesa, nas palavras, no ritmo e no sentir, na nostalgia, na saudade de si.
Belo.

Gotik Raal

10/11/08 15:37  
Blogger Goldmundo said...

Witch,

Sabedoria seria talvez a fusão do olhar de fora com o de dentro... Ou seria talvez saber o que a sabedoria é. Beijo*

________

Morgana
...


______

Gotik Raal,

Obrigado. Nunca soube se há saudade que não seja de si, como dizem...

Bem vindo à Ribeira.

10/11/08 17:54  
Blogger sophiarui said...

:)

10/11/08 22:04  
Blogger Klatuu o embuçado said...

Ena, ena, eis que o velho lobo da Ribeira volta a uivar... ;)

Abraço!

P. S. Tens réplica n'O Bar do Ossian.

11/11/08 01:24  
Blogger witch said...

Goldmundo,

Sim... talvez a sabedoria seja apenas este eterno procurar...
;)

Kisss...

11/11/08 23:58  
Blogger andorinha said...

Tão belo, Goldmundo!

traz-vos o mundo despertos?
Sois dele, então - não sois meus...


Tive que parar aqui.E ler e reler e reler...
De que adianta prestarmos só atenção ao mundo se não a prestamos a nós e ao nosso mundo interior? Será?
Beijo.

15/11/08 22:49  
Blogger bat_trash said...

Hehehe...estás a fugir de gente chata.:)

17/11/08 01:16  
Blogger bat_trash said...

Uma bela cantiga nostálgica.

Bat Kiss.

17/11/08 01:19  
Blogger mariazinha said...

olhos negros, como seria de esperar, numa ribeira que é negra...

um beijo*

17/11/08 11:15  
Blogger Vítor Mácula said...

Meus olhos novos, não tarda…
rasgai por ora minha cegueira:
cantai na alma que vê parda
e puxai-a para lá da beira

:)

havia uma tradição lisboeta
da desgarrada
em tascas e ruas sem meta
agora amarrada

abraço, ó ribeira

19/11/08 18:16  
Blogger Vertigo said...

Este comentário foi removido pelo autor.

20/11/08 00:30  
Blogger Vertigo said...

Vim aqui conhecer-te,Goldmundo.

Que transparência (...).

Um beijo

20/11/08 00:32  
Blogger Goldmundo said...

Amigos todos, obrigado pelas vossas palavras (e Mariazinha pelos olhos :)...) Tenho que voltar depois, que ando adoentado. É o chegar do Inverno.

Vertigo, bem-vinda. Espero que a Ribeira seja um lugar tranquilo para ti. Procuro que o seja para todos, para sempre.

21/11/08 02:47  

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