24.1.08

Eyak
Falam hoje os jornais de muitas coisas. Às bolsas da Europa "voltou o optimismo"; a mim, não, nem promete.

Morreu em Anchorage, a maior cidade do Alaska, uma mulher chamada Marie Smith. Tinha 89 anos de idade. Era a última pessoa que no mundo tinha como língua materna a língua Eyak, a língua da sua tribo. Era nominalmente a chefe da tribo, filha do último chefe efectivo, aquele que teve o azar ou o destino de crescer e viver com a chegada dos homens brancos, do caminho de ferro, das bolsas que vivem momentos de euforia e optimismo. Era tudo, porque na sua tribo não havia mais ninguém.

Morreu Marie Smith, que não usava já o nome dos seus antepassados. Morreu com ela a língua Eyak. Morreu mais um pedacinho do mundo velho, feito de vivos e de mortos, feito das diferenças que só as coisas vivas - ainda que mortas - podem ter.

À minha frente o crepúsculo, e talvez os homens domesticados.

6 Comments:

Anonymous Anonime said...

Lembro-me de ter lido por aqui que tens filhos - esse mundo velho, que vive em ti, não tem de morrer - a chama que transportamos é sagrada! devêmo-la aos nossos filhos para que a transportem tambem - enquanto a chama arder haverá quem não se deixe domesticar!

24/1/08 21:06  
Blogger Goldmundo said...

Eu não transporto chama nenhuma. Deus me livre.

25/1/08 05:33  
Anonymous anonime said...

Errata:

Onde se lê "chama", leia-se: "mundo velho, feito de vivos e de mortos, feito das diferenças que só as coisas vivas - ainda que mortas - podem ter".

25/1/08 13:54  
Blogger Goldmundo said...

:)

Sim... Mas a minha hesitação não vinha da chama, mas do transportar. "Je garde et je regarde". Mas não quero andar, não quero esta coisa que anda.

31/1/08 20:15  
Anonymous Anonime said...

"Je suis mort parce que je n'ai pas le désir..."

lembras-te?

1/2/08 03:06  
Blogger Goldmundo said...

René D'Haut Mal, lembro sim. Foi no tempo das cerejas.

Oh, eu detesto explicar a moral das histórias.

3/2/08 01:26  

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